O sector agrário em Cabo Delgado enfrenta desafios crescentes na presente campanha agrícola, resultantes não apenas das condições climáticas, mas também da proliferação de pragas e de conflitos entre comunidades e fauna bravia. Ainda assim, as autoridades asseguram estar a implementar acções para reforçar a resiliência da produção local.
A informação foi avançada durante a 3.ª Reunião do Centro Operativo de Emergência (COE), realizada esta segunda-feira (12) e orientada pelo governador da província, Valige Tauabo. Na ocasião, o chefe da Repartição de Produção e Sanidade Vegetal da Direcção Provincial de Agricultura e Pescas revelou que pragas e conflitos homem-fauna já afectaram um total de 1.604,5 hectares de diversas culturas em Cabo Delgado.
Segundo Paulino Premogy, entre as principais pragas que têm assolado os campos agrícolas destacam-se os afídeos, gafanhotos locais, a lagarta do caule e o besouro. Contudo, a maior preocupação recai sobre a lagarta do funil do milho, responsável pela destruição de 778,5 hectares, correspondendo a quase metade da área total afectada até ao momento.
Embora a presença de pragas tenha sido registada em todos os distritos da província, os impactos económicos mais significativos foram reportados em cinco deles, nomeadamente Metuge, Mecúfi, Mocímboa da Praia, Mueda e Nangade. Nos restantes distritos, os danos não chegaram a comprometer de forma grave a viabilidade económica das culturas.
Para além das pragas, a fauna bravia continua a representar um desafio adicional para os camponeses. No distrito de Mocímboa da Praia, concretamente na localidade de Nango, registou-se na última semana a incursão de elefantes, que resultou na destruição de cerca de 3,5 hectares de campos agrícolas, agravando a vulnerabilidade alimentar das famílias afectadas.
Paulino Premogy esclareceu que, nesta fase, os dados disponíveis dizem respeito apenas às áreas afectadas, não existindo ainda um balanço consolidado sobre eventuais áreas recuperadas após intervenções técnicas.
Perante este cenário, o governador Valige Tauabo apelou ao reforço da monitoria contínua. Durante a reunião, o dirigente instou os diferentes sectores a manterem vigilância permanente, de modo a salvaguardar a produção agrícola, sobretudo numa altura em que se antevê o pico da época chuvosa na província.

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