Por Modesto Zumbire — O Instituto Nacional de Saúde (INS), através da sua Delegação Provincial de Cabo Delgado, apresentou esta quinta-feira, em Pemba, os resultados da Vigilância Baseada na Comunidade (VBC), numa sessão técnica orientada para reforçar a resposta aos principais desafios de saúde pública na província. A apresentação foi conduzida pelo Chefe do Departamento de Pesquisa, Formação e Inquéritos de Saúde, Jackson Somar .
Durante a sua intervenção, Jackson Somar destacou que a vigilância de base comunitária constitui uma estratégia essencial para a deteção precoce, notificação e resposta a eventos de saúde pública, envolvendo diretamente as comunidades e agentes locais. Segundo o responsável, esta abordagem complementa os sistemas tradicionais de vigilância, permitindo uma leitura mais próxima e contextualizada da realidade sanitária, sobretudo em zonas com acesso limitado aos serviços de saúde.
A atividade foi implementada no distrito de Chiúre, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, abrangendo quatro aldeias, nomeadamente Muajaja, Namiuta, Megaruma e Manigan i. Ao todo, foram alcançados 2.781 agregados familiares, com recolha de dados realizada por agentes comunitários devidamente capacitados, utilizando plataformas digitais que garantiram maior precisão, rapidez e georreferenciação das informações.
Os resultados indicam uma média de cinco a sete membros por agregado familiar, com predominância de chefes de família jovens, entre os 18 e 34 anos. A análise revelou ainda disparidades importantes entre as comunidades, com destaque para Manigani e Namiuta como áreas de maior vulnerabilidade sanitária, exigindo intervenções prioritárias.
No que se refere aos principais problemas de saúde, foram identificadas prevalências relevantes de desnutrição e diarreia, sobretudo em Namiuta, com taxas que atingem 7,8% e 5,8%, respetivamente. Já na componente de sintomas respiratórios, Megaruma apresentou maior prevalência de tosse, levantando preocupações associadas à tuberculose, uma vez que o distrito de Chiúre figura entre os que registam maior carga da doença na província.
Apesar destes desafios, a vigilância revelou indicadores positivos na área de vacinação, com uma cobertura elevada da chamada “dose zero”, variando entre 89% e 99%, o que demonstra um bom nível de acesso inicial aos serviços de imunização.
Com base nos dados apresentados, o INS recomenda o reforço das intervenções de nutrição, água, saneamento e higiene (WASH) nas comunidades mais afetadas, bem como a intensificação da vigilância de doenças respiratórias e o fortalecimento das ações de prevenção a nível comunitário.
Na ocasião, Jackson Somar sublinhou que os dados recolhidos refletem a realidade vivida pelas comunidades e constituem uma base sólida para a tomada de decisões estratégicas no setor da saúde.
“Estamos a trabalhar com evidências reais, geradas ao nível das comunidades, o que permite orientar melhor as intervenções e garantir uma resposta mais eficaz”, afirmou.
A iniciativa insere-se no esforço de descentralização dos serviços de saúde e no fortalecimento dos sistemas de informação, contribuindo para uma resposta mais rápida, inclusiva e adaptada às necessidades das populações em Cabo Delgado.
A pesquisa contou com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), entre outros parceiros, e reuniu profissionais do setor da saúde, parceiros de cooperação e desenvolvimento, bem como membros da sociedade civil.
A apresentação dos resultados da Vigilância Baseada na Comunidade reafirma o papel do INS como pilar na produção de evidências científicas para a saúde pública em Moçambique, num contexto em que a tomada de decisões informadas se torna cada vez mais determinante para responder a emergências e reduzir vulnerabilidades. A consolidação desta abordagem comunitária representa um avanço significativo na aproximação dos serviços às populações, contribuindo para um sistema de saúde mais resiliente, proativo e orientado para resultados.(MRTV)

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