A terceira Reunião do Centro Operativo de Emergência (COE), realizada esta segunda-feira sob orientação do governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, analisou a evolução dos níveis hidrométricos nas principais bacias hidrográficas da província, num contexto marcado por cautela face à aproximação do pico da época chuvosa.
Apesar de se observar um abrandamento momentâneo nos níveis das bacias, as autoridades alertam que a situação exige vigilância permanente, tendo em conta que os meses de Fevereiro e Março são historicamente associados a chuvas mais intensas.
Falando no encontro, o director da Divisão de Gestão das Bacias do Messalo e Montepuez, na ARA-Norte, Micas Bulo, explicou que, embora se registe alguma estabilidade, certas bacias continuam a merecer atenção redobrada. A bacia do Messalo, na estação de Nairoto, atingiu 4,20 metros, ultrapassando o nível de alerta fixado em 4 metros. Já a bacia do Megaruma, em Mieze, registou uma subida para 3,60 metros, ficando a apenas 40 centímetros do nível crítico. Outras bacias importantes, como as do Rovuma e de Montepuez, apresentam tendência de subida, mas ainda abaixo dos níveis de alerta.
No mesmo encontro, o delegado provincial do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), Abdul Carimo, avançou que, após um período de chuvas intensas acima da média, observado entre Outubro e Dezembro em distritos como Pemba e Palma, está previsto um abrandamento da precipitação a partir de 15 de Janeiro, com registo de chuvas fracas ou chuviscos. Ainda assim, a monitoria de um sistema de baixa pressão no Oceano Índico mantém-se activa, apesar de não representar, neste momento, perigo imediato para a costa de Cabo Delgado.
Face à combinação de factores como a saturação dos solos, a possibilidade de inundações repentinas e a evolução dos níveis das bacias, o governador Valige Tauabo reforçou várias medidas de prevenção e orientação. Entre elas, apelou ao reforço da segurança rodoviária, recomendando aos automobilistas, sobretudo de viaturas pesadas, a evitarem a circulação nocturna e a respeitarem o limite de carga de seis toneladas nas estradas de terra, de modo a reduzir acidentes e a degradação das vias.
O governante reiterou igualmente a necessidade de abandono definitivo das zonas de risco, instruindo os comités locais de gestão de risco a intensificarem a sensibilização das famílias que vivem em áreas ribeirinhas e susceptíveis a inundações. No domínio humanitário, destacou a importância de uma gestão rigorosa das reservas alimentares e logísticas, garantindo assistência atempada às populações afectadas tanto por calamidades naturais como pelo deslocamento provocado pelo terrorismo, sublinhando que o Governo continua atento às necessidades das comunidades.
Valige Tauabo enfatizou ainda que a estratégia governamental deve privilegiar a antecipação, recorrendo aos dados técnicos da ARA-Norte e do INAM para a emissão de avisos prévios, capazes de proteger vidas e bens antes do agravamento dos fenómenos meteorológicos. Por fim, defendeu o fortalecimento da coordenação entre o Governo e parceiros internacionais, como a OCHA, de forma a assegurar uma resposta rápida e articulada a eventuais emergências durante o período chuvoso.(MRTV)

Enviar um comentário