A circulação de informações não confirmadas sobre a
origem da cólera está na base da detenção de 12 indivíduos acusados de
envolvimento em actos de vandalismo que culminaram na destruição de
infraestruturas públicas e privadas no distrito de Mecufi.
Entre os detidos encontra-se uma jovem de 21 anos de
idade, apontada pelas autoridades como estando na origem de um episódio de
desobediência colectiva que resultou na destruição total da sua própria
residência e na danificação parcial do Centro de Saúde de Natuco.
De acordo com a Polícia da República de Moçambique (PRM)
em Cabo Delgado, o incidente teve início quando a jovem acusou publicamente o
seu marido — membro do policiamento comunitário — de ser o responsável pela
disseminação da cólera na comunidade. A acusação, feita em voz alta, foi ouvida
por vários vizinhos e acabou por gerar indignação popular.
Na sequência, cerca de 12 cidadãos mobilizaram-se com a
intenção de fazer justiça pelas próprias mãos, desencadeando uma onda de
violência que incluiu agressões físicas, destruição de bens e vandalização de
infraestruturas sanitárias.
Segundo a porta-voz do Comando Provincial da PRM em Cabo
Delgado, Eugénia Nhamussua,
os actos de vandalismo afectaram áreas sensíveis do Centro de Saúde de Natuco,
incluindo estruturas destinadas ao tratamento de pacientes com cólera, além da
destruição de equipamentos hospitalares e medicamentos.
“Foi possível neutralizar, numa primeira fase, parte dos
suspeitos deste crime, e o trabalho prosseguiu até culminar com a detenção dos
envolvidos, incluindo esta cidadã de aproximadamente 21 anos, que terá sido a
pessoa que iniciou o problema. A situação culminou na destruição de tendas onde
pacientes com cólera eram tratados, bem como diversos equipamentos hospitalares
e medicamentos existentes no centro de saúde. Este grupo é composto por
cidadãos com idades entre 18 e 38 anos, todos naturais e residentes de Mecufi”,
explicou.
O membro do policiamento comunitário acusado encontra-se,
até ao momento, em parte incerta, sendo desconhecido o seu estado de saúde.
Perante as autoridades, a jovem afirmou que fez a
acusação num momento de nervosismo, não apresentando provas que sustentassem as
suas declarações. Já os restantes detidos demonstraram dificuldades em explicar
a origem da doença na comunidade, reforçando a tese de que os actos terão sido
motivados por desinformação e receio generalizado.
As autoridades continuam a investigar o caso, estando os
detidos a aguardar os trâmites legais subsequentes.
Face aos acontecimentos, a PRM não descarta a
possibilidade de reforçar a segurança nas unidades sanitárias do distrito,
incluindo a eventual instalação de uma esquadra policial junto ao centro de
saúde, caso persistam actos de vandalização.
“Se a situação evoluir negativamente, poderemos reforçar
as condições de segurança no distrito. Vamos avaliar se o centro de saúde reúne
condições para continuar a funcionar normalmente. Caso contrário, poderemos
criar condições de protecção semelhantes às adoptadas no distrito de Metuge,
com a instalação de uma esquadra da polícia junto ao hospital, para garantir
que os cidadãos possam continuar a beneficiar de assistência médica”,
acrescentou Eugénia Nhamussua.
Perante o desconhecimento sobre a origem da cólera e o
impacto que a desinformação pode gerar, a PRM apela à população para que evite
acusações infundadas e não recorra à violência como forma de resolução de
conflitos.
As autoridades reforçam a necessidade de colaboração com
os serviços de saúde e defendem que o diálogo e a informação credível são
fundamentais para prevenir situações de instabilidade social e proteger
infraestruturas públicas essenciais, sobretudo em períodos de surtos
epidémicos.(MRTV)




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