Cabo Delgado: Dois agentes da PRM agredidos durante intervenção policial em Mecufi

 



Dois agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) foram agredidos por um grupo de cerca de 15 cidadãos quando tentavam intervir numa situação de tensão popular na aldeia de Muaria, no distrito de Mecufi, relacionada com a detenção de um líder comunitário acusado por populares de estar envolvido na alegada disseminação da cólera naquela região.

O incidente ocorreu no dia 26 de janeiro, num contexto de forte agitação social associada ao surto da doença, mas as detenções dos suspeitos só foram efetuadas no passado dia 17 de fevereiro, após diligências levadas a cabo pelas autoridades.

Durante a intervenção policial, os agentes foram surpreendidos por um grupo de indivíduos que, munidos de pedras, atacaram a força da ordem. Como consequência, dois membros da PRM ficaram feridos. Um deles sofreu ferimentos ligeiros na cabeça, enquanto o outro perdeu três dentes em resultado das agressões.



A porta-voz do Comando Provincial da PRM em Cabo Delgado, Eugénia Nhamussua, explicou que a corporação foi acionada para acalmar os ânimos e garantir a integridade física do líder comunitário, que estava a ser responsabilizado pela propagação da cólera.

“Estes mobilizaram-se e, através de pedras, agrediram a força policial que se fazia àquele lugar naquele dia, tendo causado ferimentos ligeiros a um dos membros da PRM. Tivemos duas vítimas, dois membros da PRM foram as vítimas; um destes perdeu três dos seus dentes e o outro terá tido ferimentos ligeiros na cabeça”, esclareceu.

De acordo com a PRM, após o espancamento do líder comunitário, os indiciados regressaram à aldeia, onde terão promovido novos actos de vandalismo. Pelo menos quatro residências pertencentes a líderes comunitários foram destruídas, incluindo quintais e diversos utensílios domésticos.

Os prejuízos materiais estão avaliados em cerca de 72.500 meticais, segundo dados avançados pela polícia.

“Quando regressaram à aldeia, destruíram mais quatro residências, também de líderes comunitários. Numa delas o quintal, bem como utensílios de uso doméstico, e na segunda residência também destruíram uma série de bens que fizeram um prejuízo total de cerca de 72.500 meticais. Aproveitaram esta permanência na aldeia para, através de um megafone, convidar os populares da mesma zona a dirigirem-se ao local onde teriam deixado a primeira vítima, com o intuito de poderem agredi-lo fisicamente”, acrescentou Eugénia Nhamussua.

As autoridades consideram que os actos configuram crimes de ofensas corporais, incitação à violência e destruição de bens.

No âmbito das investigações, cinco suspeitos foram detidos, enquanto outros dez continuam em parte incerta. Entretanto, os detidos negam envolvimento directo nas agressões e nos actos de vandalismo, alegando que se encontravam no local à espera de um encontro promovido pelo seu partido político.

Com a detenção dos cinco indivíduos, foi possível esclarecer três autos de denúncia e um auto de notícia, já remetidos ao Ministério Público para os devidos trâmites legais.

A PRM apela à população para que evite fazer justiça pelas próprias mãos, sobretudo em contextos de surtos de doenças como a cólera, cuja origem e propagação devem ser tratadas pelas autoridades sanitárias competentes.

As autoridades reforçam que acusações infundadas e actos de violência apenas agravam a instabilidade social e colocam em risco a vida de cidadãos e agentes da ordem, reiterando o compromisso de garantir a segurança e a reposição da ordem pública no distrito de Mecufi.(MRTV)

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