Empresários de Cabo Delgado querem abastecer projecto da TotalEnergies
PEMBA – Empresários da província de Cabo Delgado afirmam estar preparados para fornecer produtos alimentares e outros bens aos trabalhadores da TotalEnergies instalados no acampamento de Afungi, no distrito de Palma.
A garantia foi avançada pelo presidente provincial da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Mamudo Irachi, que assegurou existir capacidade por parte dos operadores económicos locais para abastecer as empresas subcontratadas ligadas ao projecto de exploração de gás natural.
Segundo o responsável, o empresariado da província já se organizou para responder à procura, destacando a existência de áreas agrícolas preparadas para produção em larga escala.
“Percebemos que a Total vai precisar de mais de 10 mil trabalhadores e esses trabalhadores devem ser alimentados com produtos dos empresários de Cabo Delgado. Neste momento, temos cerca de 1.800 hectares preparados para produção, com capacidade para fornecer às grandes empresas instaladas em Pemba”, afirmou.
Apesar disso, Irachi defende a necessidade de maior integração entre o projecto e as comunidades locais, apontando que a concentração das subcontratadas no interior do acampamento dificulta o acesso dos empresários à cadeia de fornecimento.
“Se todas as subcontratadas estiverem localizadas em Afungi, será muito difícil para o sector privado de Pemba trabalhar directamente, devido à falta de comunicação com a comunidade empresarial local. É importante que haja mais abertura e que algumas empresas possam operar fora do acampamento”, defendeu.
O responsável entende ainda que a permanência prolongada dos trabalhadores dentro do acampamento limita as oportunidades de negócio para os operadores locais. Como alternativa, propõe a criação de espaços organizados para a promoção da gastronomia e de produtos da província.
“Podemos criar stands onde os trabalhadores possam ter acesso directo aos serviços locais. Isso facilitaria os negócios e daria oportunidade aos empresários da província de apresentarem os seus produtos”, sugeriu.
“Muitos hotéis deixaram de funcionar, o sector de transporte está prejudicado e até a pesca sofre, porque há produtores que já tinham capacidade para fornecer em grande escala, mas perderam mercado”, explicou.
Face a este cenário, o dirigente apela à TotalEnergies a encontrar um equilíbrio que permita maior circulação económica fora do acampamento, envolvendo directamente a vila de Palma e a cidade de Pemba.
“Há necessidade de encontrar um meio-termo, com actividades a acontecer também na vila de Palma, nas zonas costeiras e em Pemba. Isso vai dinamizar a economia local e criar mais oportunidades para todos”, concluiu.(MRTV)

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