Cabo Delgado: Suposto membro da Assembleia Provincial acusado de queimar menor deslocado


Uma criança deslocada, vítima do terrorismo em Cabo Delgado, foi brutalmente agredida no distrito de Metuge, num caso que está a gerar forte indignação pública.

O principal suspeito é um empresário influente e suposto membro da Assembleia Provincial de Cabo Delgado, identificado como Armando Bonifácio, proprietário de um complexo residencial conhecido por “Muamini”.

Segundo informações avançadas pelo porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) ao nível da província de Cabo Delgado, Arnélio Sola, trata-se de um menor de 11 anos de idade, residente no Centro de Reassentamento de deslocados vítimas do terrorismo, proveniente do distrito de Quissanga.

De acordo com o porta-voz do SERNIC, no dia 25 do mês em curso, pelas 15 horas, a corporação recebeu uma denúncia apresentada pela mãe da criança. A cidadã moçambicana relatou que o seu filho teria sido fisicamente agredido por indivíduos até então desconhecidos.

Face à denúncia, uma equipa do SERNIC foi imediatamente destacada para dar seguimento ao caso. O menor foi encaminhado ao centro de saúde local para avaliação médica. Do exame hospitalar preliminar constatou-se que a vítima apresentava golpes na região dorsal, lesões nos membros superiores e queimadura no lado direito da região dorsal, compatíveis com agressões por cabos eléctricos e ferro de engomar quente.

No dia 26, o SERNIC neutralizou dois cidadãos moçambicanos, com idades compreendidas entre 24 e 50 anos, no bairro 3 de Fevereiro, indiciados da prática do crime de ofensas corporais voluntárias.

Segundo as investigações preliminares, os factos terão ocorrido no interior de um complexo residencial de alojamento pertencente ao primeiro indiciado. Em interrogatório preliminar, os suspeitos alegaram que o menor vinha entrando na cozinha do estabelecimento para recolher restos de comida confeccionada no local.

O processo-crime já foi lavrado e os indiciados serão remetidos ao Ministério Público para os trâmites legais subsequentes. O caso continua a levantar várias dúvidas entre os residentes e reacende o debate sobre a vulnerabilidade das crianças deslocadas em Cabo Delgado, sobretudo aquelas que vivem em centros de reassentamento.

As autoridades apelam à população para que continue a denunciar todos os crimes de natureza semelhante, de modo a garantir que os autores de actos violentos sejam responsabilizados. (Moz24h)

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