A cidade de Pemba acolheu, no
último sábado, um workshop promovido pela Exporta Mozambique, subordinado ao
lema “Acelerando as Exportações da Província de Cabo Delgado”. O encontro
reuniu membros do Conselho Executivo Provincial, representantes do sector
privado e técnicos da área económica para discutir estratégias de
fortalecimento do ecossistema de exportações.
O evento insere-se numa série de
iniciativas que a instituição tem vindo a realizar noutras províncias, com o
objectivo de impulsionar a capacidade produtiva e exportadora do país. Para o
efeito, foi conduzido um estudo técnico de base (baseline), em coordenação com
a Direcção Provincial de Indústria e Comércio e os Serviços Provinciais das Actividades
Económicas, visando mapear o potencial produtivo e exportável da província.
Durante a entrevista o CEO da Exporta
Moz, Miguel Joia, explicou que o propósito central é demonstrar que Moçambique
dispõe de uma capacidade significativa para exportar produtos agrícolas,
serviços, recursos minerais e gás, contribuindo assim para tornar o país mais
competitivo na economia internacional.
“O objectivo é reduzir o défice da balança de pagamentos, garantindo que o país exporte mais do que importa, assegurando o acesso às divisas necessárias para a aquisição de bens de equipamento e outros produtos que ainda não produzimos internamente”, afirmou.
O responsável destacou ainda que
o aumento das exportações poderá impulsionar a produção nacional, promover a
inclusão económica e financeira das famílias e fortalecer o sector empresarial.
Apesar dos desafios impostos pela
insegurança em algumas zonas da província, Joia considera que o terrorismo não
constitui necessariamente uma barreira intransponível para as actividades
produtivas, sobretudo no sector agrícola. “As culturas de rendimento não são,
em regra, actividades directamente afectadas. As populações podem continuar a
produzir e comercializar nos períodos apropriados”, referiu.
Entre os principais corredores
logísticos apontados para dinamizar as exportações da região norte estão o
Corredor de Nacala, fundamental para o escoamento da produção agrícola, bem
como as potencialidades marítimas para o desenvolvimento da pesca e
aquacultura.
Cabo Delgado apresenta condições
agro-ecológicas de nível internacional, com destaque para produtos como a
castanha de caju e o gergelim, que registam crescente procura no mercado
externo. Para além da exportação de matéria-prima, o workshop defendeu a aposta
no agro-processamento, criando valor acrescentado aos produtos locais.
“A ideia é avançar para o primeiro e segundo processamento, com embalagem e marca própria, permitindo que produtos como a castanha condimentada cheguem directamente às prateleiras dos mercados internacionais”, sublinhou.
O encontro reforçou a necessidade
de uma coordenação estreita entre o Governo e o sector privado para transformar
o potencial produtivo da província em oportunidades concretas de crescimento
económico sustentável.(MRTV)


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