23 Associações pesqueiras de Mecúfi recebem embarcações para impulsionar produção e renda

 


Vinte e três associações de pescadores do distrito de Mecúfi, na província de Cabo Delgado, beneficiaram, esta segunda-feira, (20.04.2026) da entrega de igual número de embarcações equipadas com motores e respectivas artes de pesca, no âmbito de um esforço governamental para reforçar a recuperação económica das comunidades afectadas pelo terrorismo e por eventos climáticos extremos.


A iniciativa faz parte de um conjunto mais amplo de 73 embarcações destinadas a apoiar famílias vulneráveis na província. Nesta fase, foi realizada a entrega simbólica de sete embarcações, integrando o lote de 23 previstas para o distrito, num acto dirigido pelo Governador Provincial de Cabo Delgado, Valige Tauabo.


O programa insere-se no Projecto de Recuperação da Crise do Norte, financiado pelo Banco Mundial e implementado pelo Governo de Moçambique, através do Ministério da Economia, no quadro do PROAZUL, em parceria com o UNOPS. Segundo as autoridades, o objectivo central é reforçar a capacidade produtiva das comunidades pesqueiras, promovendo maior resiliência económica e melhoria das condições de vida.


Na ocasião, o governador apelou ao uso responsável dos meios disponibilizados, sublinhando a importância da pesca sustentável para garantir benefícios duradouros.


“Gostaríamos de deixar uma palavra de apreço e confiança aos pescadores aqui presentes, cientes de que continuarão a praticar a pesca responsável, que permitirá o aumento da produção e exigirá a introdução de mecanismos de gestão mais eficazes, capazes de reproduzir investimentos para o desenvolvimento da actividade pesqueira na província de Cabo Delgado”, afirmou Valige Tauabo.




As autoridades provinciais consideram que os equipamentos entregues poderão contribuir significativamente para a geração de renda, criação de emprego e melhoria da dieta alimentar das comunidades beneficiárias, num contexto ainda marcado por desafios socioeconómicos.


Na mesma linha, o Director Provincial da Indústria e Comércio, Alison Banze, destacou o impacto gradual do projecto na vida das populações.


“O Projecto de Recuperação da Crise do Norte está, gradualmente, a melhorar as condições de vida. Quando falamos disso, referimo-nos à criação de facilidades que permitem às famílias apetrechar as suas casas, adquirir meios de transporte e responder a outras necessidades essenciais para uma vida normal”, explicou.




Por seu turno, os beneficiários manifestaram satisfação com os meios recebidos, apontando que a iniciativa poderá resolver constrangimentos antigos, sobretudo a falta de equipamentos adequados para a actividade pesqueira e conservação do pescado.


 “Nós vínhamos trabalhando com dificuldades, mas hoje, com a entrega deste material, estamos muito satisfeitos e o nosso trabalho de pesca vai avançar”, afirmou Saide Arlindo, um dos beneficiários.


A membro da Associação 8 de Março, Albertina Baptista, destacou a importância dos equipamentos para a conservação do pescado, sobretudo em períodos de maior produção.


“Antes enfrentávamos muitos problemas, sobretudo na conservação. Em tempo chuvoso, conseguíamos peixe, mas não tínhamos como armazenar. Agora, com este equipamento completo, acreditamos que a situação vai melhorar”, disse.




Já Paulino Charamba explicou a variabilidade da produção pesqueira, condicionada pelas condições do mar.


“Há momentos em que conseguimos entre 30 a 40 quilos, mas quando o mar está favorável, podemos chegar aos 150 ou até 300 quilos. Tudo depende das condições”, referiu.




O Governo reforçou ainda o apelo ao cumprimento das normas legais, com destaque para o pagamento de licenças de pesca e o respeito pelos princípios de sustentabilidade, como forma de garantir a continuidade da actividade e a preservação dos recursos marinhos.


 “Quero exortar os pescadores a engajarem-se no pagamento das licenças, no aumento da produção e na contribuição para a segurança alimentar e nutricional. Só assim participamos activamente no desenvolvimento do nosso país e reforçamos a nossa missão de manter a paz”, concluiu o governador.



Com esta iniciativa, o Executivo pretende não apenas reactivar a economia local, mas também consolidar a estabilidade social nas zonas afectadas, apostando na pesca como uma das principais fontes de sustento para as comunidades costeiras de Cabo Delgado.(MRTV)


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