Jovens líderes de diferentes formações políticas e representantes de associações juvenis reuniram-se na última segunda-feira, na cidade de Pemba, no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo ao nível da província de Cabo Delgado, um espaço que serviu para expor preocupações e apresentar propostas concretas para o desenvolvimento da juventude moçambicana.
O encontro juntou representantes de partidos como FRELIMO, PODEMOS, ANAMOLA, MDM E PAHUMO, num exercício de participação cívica que visou aproximar as preocupações da juventude às instâncias de decisão, através da Comissão Técnica do processo.
Entre os principais desafios apresentados, destacou-se a questão da segurança, considerada pelos participantes como prioridade absoluta, sobretudo face aos ataques terroristas que continuam a afectar algumas zonas da província.
José Vintane, presidente do Conselho Distrital da Juventude em Pemba, alertou para o impacto directo da insegurança no desenvolvimento económico e social.
“A questão ligada à segurança deve ser prioridade, porque transcende outras questões económicas. Temos infraestruturas a serem devastadas pelo terrorismo, áreas produtivas inacessíveis e limitações nas vias de acesso. Isso representa um retrocesso significativo”, afirmou.
Na mesma linha, Paciência Cornélio, presidente da Liga da Juventude do PAHUMO, destacou o sentimento de abandono vivido por jovens da província.
“Os dirigentes que estão em Maputo vivem tranquilos, enquanto nós estamos a sofrer, a perder familiares e sem emprego. Se resolvermos o problema do terrorismo, muita coisa vai mudar, porque a segurança vai trazer confiança para recomeçar”, disse.
Também Arnaldo Adriano, presidente da Liga da Juventude do Podemos, reforçou a necessidade de intervenção urgente por parte do Governo.
“Nós queremos que o Governo possa solucionar este problema, criando condições de segurança, porque sentimos constantemente ameaçados”, declarou.
Para além da segurança, os jovens defenderam a introdução de mecanismos tecnológicos no processo eleitoral, como forma de reforçar a transparência e a credibilidade dos processos democráticos.
Bichehe Fadile, secretário da OJM em Pemba, propôs a adopção do voto electrónico.
“É importante que haja uma plataforma digital, não apenas o uso de caneta e papel. Isso pode impulsionar a transparência e permitir resultados mais rápidos e confiáveis”, explicou.
Outro ponto levantado durante o diálogo foi a necessidade de consciencialização da população sobre a natureza das infraestruturas públicas, frequentemente associadas a partidos políticos.
Iven Rafael, membro da ANAMOLA, criticou essa percepção.
“As pessoas pensam que hospitais, escolas e outras instituições públicas pertencem ao partido no poder, o que não é verdade. Isso cria uma percepção errada e manipulação da população”, afirmou.
Os participantes manifestaram ainda preocupação com a falta de transparência na divulgação de oportunidades para a juventude, incluindo projectos, formações e emprego.
Abubacar Saide, presidente da AJA em Cabo Delgado, apontou falhas na partilha de informação.
“Falta vontade do próprio Governo em partilhar informações com a juventude. Muitos projectos chegam, mas são direccionados a grupos restritos, o que limita o acesso e cria desigualdades”, criticou.
Em resposta, a Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo fez um balanço positivo do encontro, sublinhando a importância do envolvimento da juventude na construção de soluções para o país.
Alberto Ferreira, membro da comissão, destacou que as principais preocupações giram em torno da paz, segurança e governação.
“A grande preocupação tem a ver com o fim da guerra, a defesa e segurança, bem como o reforço do orçamento. Houve também apelos à tolerância política e à unidade nacional como bases fundamentais para o desenvolvimento sustentável”, referiu.
O responsável acrescentou que os contributos apresentados serão integrados no processo nacional, com vista à construção de um ambiente político mais inclusivo, participativo e estável.
O Diálogo Nacional Inclusivo surge, assim, como uma plataforma estratégica para amplificar a voz da juventude, num contexto em que Cabo Delgado continua a enfrentar desafios complexos, mas onde os jovens demonstram vontade de participar activamente na definição do futuro da província e do país.(MRTV)

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