Projeto já alcançou cerca de 86% das metas e beneficia mais de 230 mil pessoas em Cabo Delgado
Por Modesto Zumbire — O Governo de Moçambique, em parceria com o Banco Mundial, está a registar progressos significativos na implementação do Projecto de Desenvolvimento de Capital Humano Inclusivo no Norte do país, com impacto direto nos sectores da saúde, educação e proteção social, particularmente na província de Cabo Delgado.
Os dados foram apresentados recentemente no distrito de Chiúre, durante o encontro do Comité de Coordenação Provincial do Desenvolvimento do Capital Humano, alargado ao Conselho Técnico Provincial e aos Comités Distritais, pelo responsável de Monitoria e Avaliação do projeto, Narciso Mondlane.
Segundo o responsável, o balanço refere-se ao quarto ano de implementação do projecto, inserido num plano operacional de 18 meses (2025–2026), que visa reforçar o acesso a serviços sociais básicos e aumentar a resiliência das comunidades, sobretudo nas zonas afetadas por conflitos armados e eventos climáticos extremos.
De forma global, o projeto já atingiu cerca de 79% de execução das actividades planificadas e alcançou aproximadamente 231 mil beneficiários, o equivalente a 86% das metas estabelecidas, um desempenho considerado positivo face aos desafios operacionais existentes.
No sector da educação, os indicadores apontam para progressos consistentes, com a taxa de retenção feminina no ensino primário fixada em 86,6% e a taxa geral em 86,8%. Estes resultados são atribuídos, em grande medida, à implementação do programa Apoio Direto às Escolas (ADE), que inclui a distribuição de uniformes, material escolar, equipamentos desportivos e a capacitação contínua de professores.
Já no sector da saúde, mais de 134 mil pessoas beneficiaram de serviços essenciais, incluindo cuidados de saúde primários, nutrição e apoio populacional, superando as metas inicialmente previstas. Um dos factores determinantes para este desempenho tem sido a atuação das brigadas móveis multissetoriais, que asseguram a prestação de serviços em zonas remotas e de difícil acesso, incluindo comunidades de deslocados.
Apesar dos avanços, persistem desafios, sobretudo no acesso de adolescentes aos serviços de saúde sexual e reprodutiva. Neste contexto, o responsável defendeu o reforço das brigadas móveis como estratégia para alcançar este grupo.
O projecto integra ainda intervenções ao nível das infraestruturas sociais, com destaque para a construção de 32 escolinhas comunitárias e a reabilitação de escolas e unidades sanitárias afetadas por eventos climáticos extremos, no âmbito das respostas de emergência.
No plano operacional, foram lançados mais de duas dezenas de concursos públicos para aquisição de bens e serviços, incluindo combustíveis, materiais médicos, equipamentos escolares e serviços de internet, essenciais para o funcionamento das actividades.
Contudo, a implementação continua a enfrentar constrangimentos, como atrasos nos processos administrativos, limitações logísticas, desafios relacionados com a segurança em alguns distritos e dificuldades no cumprimento de normas ambientais e sociais por parte de empreiteiros. Registam-se ainda interrupções pontuais no fornecimento de insumos, com impacto na prestação de serviços.
Face a este cenário, Narciso Mondlane defendeu a necessidade de acelerar a aprovação de planos e simplificar os mecanismos de financiamento, com vista a aumentar a eficiência na execução das actividades.
Para os próximos meses, as prioridades passam pela expansão das brigadas móveis integradas, reforço do abastecimento de insumos essenciais, aceleração das obras em curso e fortalecimento dos programas de proteção social, com enfoque nas populações mais vulneráveis.
O projecto reafirma, assim, o seu papel estratégico na construção de um sistema de serviços sociais mais resiliente, inclusivo e capaz de responder aos desafios que marcam o norte de Moçambique.(MRTV)

Enviar um comentário