O arcebispo metropolita de Nampula e presidente da Confederação Episcopal de Moçambique, Inácio Saúri, condenou com veemência os recentes ataques armados que culminaram com a destruição da missão católica de São Luís de Monteforte, localizada na aldeia de Mesa, distrito de Ancuabe, na província de Cabo Delgado.
Falando num tom marcado por tristeza e preocupação, o prelado apelou ao fim imediato das ações violentas protagonizadas por grupos insurgentes, que têm visado infraestruturas religiosas e civis, bem como comunidades locais. Segundo explicou, o ataque mais recente resultou na destruição quase total da missão, um espaço que durante décadas serviu não apenas como local de culto, mas também como centro de apoio social e educativo.
“Os atacantes queimaram a igreja paroquial de São Luís Maria de Monteforte, a secretaria e a residência dos missionários. Vandalizaram igualmente a escola infantil, conhecida como Escolinha, deixando toda a missão reduzida a escombros”, descreveu o arcebispo, acrescentando que os agressores também disseminaram mensagens de ódio dirigidas aos cristãos.
A missão atingida, construída em 1946 por missionários monfortinos provenientes da Holanda, representa um marco histórico e espiritual na região, estando prestes a completar oito décadas de existência. Para muitos residentes, o espaço simbolizava esperança, educação e assistência comunitária, agora severamente comprometidas pela violência.
Perante este cenário, Inácio Saúri manifestou o seu repúdio inequívoco contra os ataques, alertando para os riscos de escalada de conflitos religiosos. “Cessem de semear a destruição e a morte. Cessem a incitação à cristianofobia, e que nunca surja a islamofobia, porque os muçulmanos não são nossos inimigos — são nossos irmãos”, afirmou.
O líder religioso destacou ainda a importância da convivência pacífica entre diferentes crenças, sublinhando que tanto o cristianismo como o islão partilham valores fundamentais de amor e respeito.
“O Deus de Abraão, o Deus de Mohamed e o Deus de Jesus Cristo não é um Deus de ódio, mas um Deus de amor”, reforçou.
Sem apontar causas concretas para a violência, o arcebispo disse desconhecer as motivações por detrás dos ataques dirigidos especificamente contra fiéis e infraestruturas católicas, mas reiterou que tais ações não podem ser justificadas sob qualquer pretexto religioso.
Os ataques em Ancuabe somam-se a uma série de incursões violentas registadas nos últimos anos em Cabo Delgado, atribuídas a grupos armados que se autodenominam “al-shabaab”, e que têm provocado deslocações massivas de populações, destruição de infraestruturas e perdas humanas significativas.
Num momento em que a província continua a enfrentar desafios de segurança e reconstrução, a Igreja Católica junta-se a outras vozes que apelam ao diálogo, à tolerância e à restauração da paz como caminhos indispensáveis para devolver a estabilidade às comunidades afetadas.(MRTV)

Enviar um comentário