Cabo Delgado: Enfermeiros pedem melhorias nas condições de trabalho

 




Redacção - Na província de Cabo Delgado, as celebrações do Dia Internacional dos Enfermeiros foram marcadas por momentos de reflexão em torno dos principais desafios que a classe enfrenta no exercício das suas funções. Entre as preocupações destacadas estão os baixos salários, a morosidade nos processos de integração e progressão na carreira, além das consequências diretas da insegurança provocada pelo terrorismo.


Ao longo dos últimos anos, vários profissionais foram forçados a abandonar as suas zonas de residência devido aos ataques armados, tendo perdido bens acumulados ao longo de décadas. Este cenário agravou ainda mais as condições de vida e de trabalho dos enfermeiros, muitos dos quais continuam a prestar serviços em contextos de elevada pressão.


Outro ponto crítico apontado pela classe é a escassez de materiais médico-cirúrgicos, incluindo equipamentos de proteção individual, fundamentais para garantir a segurança dos profissionais e dos pacientes. A situação é igualmente preocupante em algumas unidades sanitárias, onde as condições de trabalho continuam aquém do desejável.


Durante as celebrações, uma mensagem em representação dos enfermeiros destacou a sobrecarga enfrentada no sistema de saúde provincial. Segundo o documento, Cabo Delgado regista um rácio de um enfermeiro para mais de mil habitantes, número considerado elevado em comparação com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).


“Na província de Cabo Delgado, continuamos a trabalhar com um rácio de um enfermeiro para mais de mil habitantes, o que proporciona uma sobrecarga significativa. Para além disso, enfrentamos escassez de material médico-cirúrgico, falta de equipamentos de proteção individual, insegurança nos locais de trabalho devido ao terrorismo, calamidades naturais e até episódios de violência associados à desinformação sobre doenças e fenómenos sociais”, refere a mensagem lida na ocasião.


A classe denuncia ainda que, para além dos constrangimentos materiais, os profissionais lidam com riscos adicionais decorrentes de boatos e desinformação, relacionadas a determinadas doenças casos têm resultado em episódios de violência contra trabalhadores da saúde.




Por sua vez, o Governo, através da Direção Provincial de Saúde, reconhece os desafios enfrentados pelos enfermeiros e defende a necessidade de continuar a valorizar a profissão. O diretor provincial de Saúde, Magido Sabune, apelou ao reforço do compromisso com a ética e a qualidade no atendimento aos utentes.


“A enfermagem valoriza-se quando cada profissional se recusa a ser invisível, realiza o seu trabalho com rigor técnico, defende a ética profissional e promove a humanização dos cuidados de saúde. O setor encoraja os enfermeiros a continuarem a pautar pela humildade, empatia, respeito e responsabilidade, mesmo perante as adversidades”, afirmou.


Apesar das dificuldades, as autoridades de saúde destacam o papel fundamental dos enfermeiros na garantia do funcionamento do sistema sanitário, sublinhando que o compromisso da classe tem sido determinante para salvar vidas em contextos adversos.


Atualmente, Cabo Delgado conta com cerca de 1.500 enfermeiros, dos quais aproximadamente 750 atuam na área de saúde materno-infantil. Ainda assim, os números continuam insuficientes para responder à crescente demanda por serviços de saúde na província.


Este ano, as celebrações do Dia Internacional dos Enfermeiros decorreram sob o sublema “Nossos profissionais de enfermagem, nosso futuro: empoderados salvam vidas”, reforçando a necessidade de investir na valorização e capacitação contínua desta classe essencial.(MRTV)

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