Por Ibraimo Abdulai - Pelo menos sete soldados moçambicanos foram mortos, armamento militar foi apreendido e foram provocadas centenas de deslocações por insurgentes do Estado Islâmico em Moçambique (EIM), durante confrontos registados nos distritos de Nangade e Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, segundo um recente relatório da organização internacional ACLED, que cobre o período de 20 de abril a 03 de maio de 2026.
De acordo com o documento, os confrontos envolveram insurgentes, forças moçambicanas e militares ruandeses destacados no norte do país. Segundo a organização, no dia 23 de abril, um grupo de combatentes atacou um posto avançado das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), em Mitope, no distrito de Mocímboa da Praia, onde os insurgentes alegadamente mataram sete militares e apoderaram-se de diverso material bélico.
Imagens divulgadas pelos canais de comunicação ligados ao Estado Islâmico mostram alegadamente armamento apreendido, incluindo morteiros, metralhadoras, espingardas automáticas e munições, segundo a ACLED.
No sul da província, cerca de 100 insurgentes terão igualmente ocupado áreas de mineração artesanal de ouro nos distritos de Meluco e Ancuabe, numa acção que incluiu confrontos com forças governamentais, sequestro de garimpeiros para resgate e o incêndio de uma igreja católica na aldeia de Minheuene, facto que voltou a provocar deslocamento de populações.
O documento refere ainda que grupos insurgentes continuam activos junto à fronteira entre Moçambique e Tanzânia, sobretudo nos distritos de Nangade e Mueda, levantando preocupações sobre a permanência de rotas de apoio logístico e recrutamento transfronteiriço.
A ACLED em sigla inglesa (Armed Conflict Location & Event Data Project), que em português significa Projeto de Dados sobre Localização e Eventos de Conflitos Armados, é uma organização internacional especializada na monitoria de conflitos armados e violência política em diferentes regiões do mundo.(MRTV)
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