Transportadores sobem taxa de transporte em Pemba após aumento do preço dos combustíveis



A cidade de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, registou esta quinta-feira (07 de Maio) uma paralisação parcial do transporte público de passageiros, na sequência do aumento do preço dos combustíveis recentemente anunciado pelo Governo. A medida, que apanhou de surpresa os operadores do sector, levou à interrupção temporária da circulação de viaturas semi-colectivas, vulgarmente conhecidas por “chapas”, criando transtornos significativos para a população.


Desde as primeiras horas do dia, vários pontos da cidade apresentavam-se com reduzida circulação de viaturas, obrigando centenas de cidadãos — entre funcionários públicos, estudantes e doentes — a recorrerem a longas caminhadas para chegar aos seus destinos. Em alguns casos, utentes relataram atrasos consideráveis no acesso a serviços essenciais, incluindo unidades sanitárias e instituições de ensino.


Os transportadores justificam a paralisação com o agravamento dos custos operacionais, sobretudo devido à subida do preço do diesel, considerado essencial para a actividade. Segundo os operadores, o novo cenário compromete seriamente a sustentabilidade do negócio, colocando em risco a continuidade dos serviços.


Julho Américo, transportador público, explicou que o impacto do aumento foi imediato e difícil de absorver. “Ficámos assustados com o aumento do preço do diesel. Os carros podem deixar de circular devido ao custo elevado do combustível. Antes, 20 litros custavam cerca de 1.600 meticais, mas agora passaram para quase 2.200 meticais. Ficámos praticamente paralisados por causa desta subida”, afirmou.


Na mesma linha, Mpiteu Junasse, também operador do sector, defendeu a necessidade de medidas urgentes para aliviar a pressão sobre os transportadores, propondo a redução das taxas cobradas pelo município. “Nós, chapeiros, pedimos apenas a redução das receitas cobradas. O combustível continua caro e fomos obrigados a aumentar o preço do chapa para 20 meticais. Antes era 15 meticais, mas já não era sustentável. Pedimos ao município que dialogue com os proprietários para reduzir as taxas”, apelou.


Face à situação, os transportadores decidiram avançar com o aumento da tarifa do transporte urbano, passando de 15 para 20 meticais, como forma de compensar os custos adicionais. A decisão, embora contestada por alguns utentes, acabou por ser aceite pela edilidade de Pemba após negociações com os operadores, permitindo o regresso gradual da circulação de viaturas ao longo do dia.


A intervenção do Conselho Municipal foi determinante para evitar um agravamento da crise de mobilidade urbana, numa altura em que a cidade depende fortemente do transporte semi-colectivo para o funcionamento normal das suas actividades.


Entretanto, ao nível central, o Governo, através do Ministério dos Transportes e Logística, reagiu à situação anunciando a conclusão de negociações com os operadores do sector, com vista à implementação de mecanismos de subsídio ao transporte público urbano. A medida surge como resposta directa ao impacto social provocado pelo aumento dos combustíveis, particularmente nas principais cidades do país.


Em comunicado, o Ministério refere que o objectivo é garantir a manutenção das tarifas actualmente praticadas, evitando que o peso do aumento dos custos recaia directamente sobre os cidadãos. O documento indica ainda que os mecanismos acordados com a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários serão apresentados em breve, em conferência de imprensa conjunta, assegurando que a diferença resultante da subida dos combustíveis será compensada através de medidas de apoio ao sector.


Analistas consideram que a situação em Pemba reflecte um desafio estrutural do sector dos transportes em Moçambique, fortemente dependente dos combustíveis e com pouca margem de manobra para absorver choques de preços. Defendem, por isso, a necessidade de políticas públicas mais robustas e sustentáveis, que garantam o equilíbrio entre a viabilidade dos operadores e a protecção dos utentes.


A normalidade começou a ser restabelecida ainda no mesmo dia, mas permanecem preocupações quanto à estabilidade futura do sector, caso não sejam implementadas soluções duradouras para mitigar os efeitos da volatilidade dos preços dos combustíveis. (Moz24h/MRTV)

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