Mais de 100 mil pessoas dos distritos de Ancuabe e Palma, na província de Cabo Delgado, serão beneficiadas pelo Programa de Recuperação Económica Sustentável e Inclusão Social para a Paz e Estabilização (RISE-PS), uma iniciativa orçada em 28 milhões de dólares norte-americanos e financiada pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
O programa foi concebido para responder aos desafios enfrentados pelas comunidades afectadas pelos ataques terroristas, apostando na recuperação dos meios de subsistência, criação de oportunidades económicas, reabilitação de infraestruturas sociais e fortalecimento da coesão comunitária. A expectativa é que a iniciativa contribua para melhorar as condições de vida das famílias e acelerar o processo de recuperação socioeconómica nas zonas abrangidas.
Durante o lançamento das actividades na província, o Presidente do Conselho de Administração da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), Jacinto Loureiro, assegurou o empenho da instituição e dos parceiros na implementação bem-sucedida do programa.
“Nós da ADIN, Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte, na qualidade da agência executora do projecto, assumimos o compromisso de tudo fazer, junto aos parceiros, para que este projecto seja um sucesso.”
Entre os resultados esperados está a criação de 24 mil postos de trabalho, com enfoque nos jovens e nas mulheres, segmentos da população que foram particularmente afectados pelas consequências da instabilidade vivida em Cabo Delgado. O programa pretende igualmente reforçar a resiliência das comunidades, reduzir a vulnerabilidade social e estimular a economia local através da promoção de iniciativas produtivas e geração de rendimento.
Para o governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, o RISE-PS deve ser encarado como uma oportunidade para fortalecer a paz e a convivência harmoniosa nas comunidades beneficiárias.
“Ao implementar este projecto, tenham em conta que trata-se de uma ferramenta que foi confiada para lançar a semente da paz e coesão social em Cabo Delgado.”
Além da geração de emprego, o programa prevê investimentos significativos em infraestruturas comunitárias consideradas essenciais para a melhoria da qualidade de vida da população. A implementação será assegurada por organizações da sociedade civil, em estreita coordenação com as autoridades governamentais, de modo a garantir que as intervenções respondam às reais necessidades das comunidades.
Segundo representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), parceiro estratégico da iniciativa, estão previstas intervenções em diferentes áreas sociais e económicas.
“Estamos a falar de tentar desenvolver 150 infraestruturas comunitárias em Palma e Ancuabe, escolas, postos de saúde, mercados, centros juvenis e sistemas de água. A formação profissional acompanhará as obras, assegurando competências e a cooperação pelas comunidades. Sobre o pilar de competências e meios de vida, a meta é apoiar 2 mil microempresários liderados por jovens e mulheres através de subsídios.”
As infraestruturas a serem construídas ou reabilitadas deverão contribuir para melhorar o acesso a serviços básicos, enquanto os programas de formação profissional procurarão dotar os beneficiários de competências técnicas capazes de facilitar a sua integração no mercado de trabalho e promover iniciativas de autoemprego.
Outro componente importante do RISE-PS está ligado ao apoio ao empreendedorismo juvenil e feminino. Através da concessão de subsídios e assistência técnica, o programa pretende fortalecer pequenos negócios e estimular actividades económicas capazes de gerar rendimento sustentável para milhares de famílias.
Lançado oficialmente a 6 de março deste ano, em Maputo, o RISE-PS é considerado uma das maiores iniciativas de recuperação comunitária em curso na província de Cabo Delgado. Com foco na geração de emprego, reabilitação de infraestruturas e promoção da inclusão social, o programa pretende criar condições para uma paz duradoura e um desenvolvimento mais resiliente nos distritos de Ancuabe e Palma, duas das regiões mais afectadas pela crise de insegurança que assolou a província nos últimos anos.(MRTV)




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