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Pelo menos 16 menores de idade estão entre os 169 moçambicanos repatriados da vizinha África do Sul, vítimas de ataques xenófobos, avançou hoje [08.06.2026] o Governo, que continua a monitorar a situação.
"Neste contexto, decorre o processo de repatriamento de 169 cidadãos moçambicanos, incluindo 16 menores, provenientes das localidades de Mossel Bay e Hermanus, na província do Cabo Ocidental. A chegada ao posto fronteiriço de Ressano Garcia está prevista para o final do dia de hoje", avança o Governo, num comunicado divulgado pelo Gabinete de Informação de Moçambique, citado pela agência portuguesa de Notícias, Lusa.
Segundo o documento, as missões diplomáticas e consulares de Moçambique na África do Sul mantêm o acompanhamento permanente da situação e continuam a prestar a necessária assistência aos cidadãos afectados. Na província de Gauteng, foram reportados incidentes envolvendo cidadãos estrangeiros durante manifestações ocorridas em Daveyton, nos arredores de Joanesburgo, sem registo de moçambicanos afectados.
A informação do Governo indica ainda que, na província de KwaZulu-Natal, o Consulado de Moçambique em Durban acompanhou relatos de preocupação de membros da comunidade moçambicana face ao ambiente de intimidação associado aos recentes discursos anti-imigração.
"As autoridades sul-africanas reiteraram o seu compromisso com a manutenção da ordem pública e a procteção de todas as comunidades residentes no país, reafirmando que não serão tolerados actos de violência ou intimidação contra cidadãos nacionais ou estrangeiros", indica o comunicado.
Com estes 169, adicionados aos 545 que chegaram ao país na terça-feira, sobe para 714 o número de cidadãos moçambicanos já repatriados na sequência de ataques xenófobos na vizinha África do Sul.
Manifestantes sul-africanos deram até 30 de junho para que todos os estrangeiros abandonem a província sul-africana de KwaZulu-Natal, conforme informação avançada anteriormente pelo Governo moçambicano.
Na segunda-feira, o Gabinfo informou que mais de 800 moçambicanos residentes na cidade de Mossel Bay, na província sul-africana do Cabo Ocidental, foram, a 29 de maio, vítimas de acções de xenofobia que já provocaram a morte de nove moçambicanos.
As tensões xenófobas constituem um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos seus países de origem, como Moçambique e a Nigéria, e a África do Sul tem sido alvo de críticas internacionais devido à xenofobia. Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, quando 18 estrangeiros morreram, segundo dados da Human Rights Watch.
Moçambique possui cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que "milhares" já regressaram ao país devido à violência.(MRTV)

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