Algumas associações pesqueiras do distrito de Mecúfi, na província de Cabo Delgado, manifestaram preocupação com os constrangimentos logísticos que enfrentam para transportar as embarcações e respectivos kits de pesca recentemente recebidos, após a entrega simbólica realizada esta segunda-feira (20.04.2026) na cidade de Pemba.
A iniciativa, promovida pelo Governo Provincial em parceria com a UNOPS, contemplou a entrega de sete embarcações, numa primeira fase, a igual número de associações. Contudo, logo após a cerimónia, os beneficiários alertaram para a falta de condições para fazer chegar os meios às suas comunidades de origem.
Entre as principais dificuldades apontadas estão a escassez de recursos financeiros para custear o transporte, a falta de combustível para os motores e a inexistência de maquinistas habilitados para conduzir as embarcações por via marítima até ao distrito de Mecúfi.
“Nós, neste momento, temos dificuldade de levar o nosso material para o nosso distrito e dar continuidade ao nosso trabalho de pesca”, afirmou Saide Arlindo, um dos beneficiários.
A preocupação é partilhada por outros membros das associações, que consideram o transporte dos equipamentos como o principal obstáculo neste momento.
“De Mecúfi até aqui é uma longa distância. Temos barco e material, mas como fazer chegar? Esse é o passo mais agravante para nós”, disse Albertina Baptista.
Segundo os beneficiários, a situação é agravada pela falta de comunicação prévia sobre as condições necessárias para a mobilização dos meios, como a necessidade de operadores qualificados.
“Se tivéssemos combustível, poderíamos seguir por via marítima. Mas não nos avisaram para trazer um maquinista que pudesse conduzir o barco até Mecúfi”, explicou Carlitos António.
Alguns pescadores relatam ainda que permanecem na praia do Wimbe, em Pemba, sem meios para regressar, aguardando por uma solução por parte das autoridades.
“Estamos aqui limitados, sem saber como voltar com o material. Pedimos apoio urgente para podermos sair daqui”, lamentou um dos beneficiários.
Além das dificuldades logísticas, os pescadores expressam receios quanto à segurança dos equipamentos e à sua própria integridade física, caso permaneçam no local por mais tempo.
“Se deixarmos aqui, há risco de desvio dos materiais. E ficar aqui à noite também é perigoso, há bandidos. Precisamos de apoio para levar o material ao destino”, alertou Carlitos António.
Outra preocupação prende-se com as condições básicas de permanência no local, incluindo alimentação e exposição ao sol.
“Há quanto tempo vamos ficar aqui? Temos fome, estamos ao sol. Precisamos de pelo menos combustível para começar a levar os barcos pouco a pouco”, acrescentou Max Sualehe.
Os beneficiários defendem que a disponibilização de pequenas quantidades de combustível e apoio técnico poderia viabilizar o transporte gradual das embarcações até às zonas de origem, evitando a paralisação da actividade pesqueira.
Sem uma resposta imediata, os pescadores admitem que os meios poderão permanecer por tempo indeterminado na praia do Wimbe, comprometendo os objectivos da iniciativa, que visam melhorar as condições de vida das comunidades e impulsionar a produção pesqueira no distrito de Mecúfi.
A situação levanta desafios adicionais à implementação do programa de apoio, evidenciando a necessidade de maior articulação entre as entidades envolvidas, de modo a garantir não apenas a entrega, mas também a operacionalização efectiva dos meios disponibilizados.(MRTV)


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