Por: Ibraimo Abdulai
Associações juvenis da província de Cabo Delgado manifestaram, nesta quinta-feira, 14 de Maio de 2026, na cidade de Pemba, preocupações relacionadas com a exclusão de jovens locais nas oportunidades de emprego nas multinacionais que regressam ao mercado, falta de união entre organizações juvenis e o enfraquecimento do patriotismo entre a juventude.
As preocupações foram apresentadas durante um encontro entre o presidente do Conselho Nacional da Juventude, Kino Fernando Caetano, o director provincial da Juventude, Emprego e Desporto, Jonas Abujate, associações juvenis e jovens locais. Os representantes das organizações juvenis defenderam a necessidade de maior inclusão dos jovens locais nas oportunidades de emprego, sobretudo nos distritos afectados pelo terrorismo e onde operam grandes empresas.
A presidente da Plataforma de Participação dos Adolescentes e Jovens (PPAJ), Zainaba Rebelo Geraldo Lopes, questionou a fraca união entre organizações juvenis na província e levantou dúvidas sobre a inserção de jovens locais nas multinacionais que regressam ao mercado em Cabo Delgado.
“Nós jovens há certos momentos em que não há união entre jovens em todas associações juvenis. É raro encontrar várias organizações juvenis na província e saber exatamente o que cada uma faz. Seria muito bom existir um fórum que juntasse todas associações juvenis da província. Temos agora multinacionais que estão a regressar ao mercado, então a pergunta é: será que temos mais jovens locais a aderirem ou estão a ser enganados? Porque não faz sentido termos pessoas de fora a trabalhar enquanto os jovens locais ficam sem oportunidades. Só os jovens de Palma e Mocímboa da Praia sabem quais são zonas seguras para trabalhar”, disse.
Por sua vez, o presidente da Associação Eu Te Amo, Ali Ussene, denunciou alegadas injustiças no centro de reassentamento da população do distrito de Palma, sobretudo exclusão de jovens em oportunidades de formação e falta de apoio aos talentos juvenis locais. Segundo o representante, alguns jovens de Palma continuam a reclamar das condições da nova vila de reassentamento, alegando falta de justiça na atribuição das casas e ausência de condições de sustentabilidade económica.
“Os nossos irmãos de Palma reclamam sobre a nova vila de Palma. Muitos não conseguiram acesso às casas e os que estão lá dizem sentir-se injustiçados, porque receberam casas, mas sem um plano de sustentabilidade. Até as machambas foram retiradas e não existe plano de autoemprego. Outros jovens em Pemba queixam-se de exclusão nas formações divulgadas pela Direcção Provincial da Juventude, Emprego e Desporto. Também temos talentos culturais nos bairros que se sentem excluídos, porque sempre que chegam ao Conselho Provincial da Juventude a resposta é falta de fundos”, afirmou.
Entretanto, o presidente executivo da União Associativa para o Desenvolvimento Social e Humano (UAPDSH), Cangelo da Conceição Henriques, mostrou-se preocupado com a perda do patriotismo entre os jovens, apontando que a situação pode contribuir para vulnerabilidades sociais e maior facilidade de disseminação de boatos ou até recrutamento para grupos criminosos.
“O patriotismo está a ser deixado do lado. Os jovens já não prestam muita atenção ao propósito do patriotismo e do engajamento patriótico. Muitos deixam-se aliciar facilmente por qualquer tipo de boato e até por situações perigosas. Hoje já não se nota a defesa e divulgação da componente patriótica e da cidadania. Precisamos resgatar este espírito de pertença entre os jovens”, disse. (MRTV)

Enviar um comentário