Por: Ibraimo Abdulai
Cerca de 152.862 mil pessoas afectadas pelo terrorismo e eventos climáticos extremos nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Gaza poderão beneficiar de assistência humanitária integrada no âmbito do projecto RESTORE, lançado esta sexta-feira, 15 de Maio de 2026, na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, região norte de Moçambique.
O projecto liderado pela Organização humanitária "CARE" Internacional Moçambique, em parceria com a ADRA Moçambique, Plan International, Tearfund, Food for the Hungry e Fundação Aga Khan, o projecto será implementado entre 1 de Abril e 30 de Setembro de 2026, com um financiamento global de 8 milhões de dólares norte-americanos, através do Fundo Humanitário de Moçambique (CBPF - Country-Based Pooled Fund), e gerido pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
O lançamento do projecto decorreu na cidade de Pemba, durante uma reunião de coordenação do consórcio implementador, juntando parceiros humanitários, organizações não-governamentais e entidades governamentais, num esforço que visa responder às necessidades urgentes das populações afectadas por conflitos armados, deslocamentos forçados e calamidades naturais.
O projecto prevê intervenções nos sectores de água, saneamento e higiene, abrigo e bens não alimentares, protecção social, segurança alimentar e meios de subsistência, incluindo assistência monetária e saúde, abrangendo distritos das três províncias afectadas. Em Cabo Delgado, as acções deverão alcançar cinco distritos, a destacar, distrito de Quissanga, Chiúre, Ancuabe, Mueda e Nangade. Dois distritos em Nampula e quatro distritos na província de Gaza.
A Directora Nacional da CARE Internacional Moçambique, Kátia dos Santos Dias, explicou que a iniciativa surge para responder às necessidades humanitárias que persistem nas comunidades afectadas pelos conflitos armados e desastres naturais. Falando a jornalistas após o encontro, Kátia dos Santos Dias afirmou que o projecto faz parte de um pacote de apoio financiado através do OCHA e implementado por diferentes consórcios humanitários no país.
“Este projecto faz parte de um pacote de apoio que veio via OCHA e vai ser implementado por vários consórcios. É um projecto de cariz humanitário e o consórcio vai implementar este projecto em Cabo Delgado, Nampula e Gaza para responder às diversas necessidades humanitárias que existem neste momento no país”, disse.
A responsável explicou ainda que o projecto vai apoiar diferentes sectores, desde água e saneamento, abrigo, assistência monetária, agricultura até protecção social, incluindo apoio às populações mais vulneráveis.
“Os apoios de emergência são sempre apoios curtos, imediatos, aquilo que chamamos de lifesaving, para salvar vidas. Continuamos a ter deslocações e movimentos dos insurgentes, o que resulta na movimentação constante da população. Este apoio pretende garantir que as comunidades tenham um mínimo de dignidade enquanto fogem ou regressam às suas zonas de origem”, acrescentou.
Kátia dos Santos Dias reconheceu igualmente os desafios impostos pela situação de insegurança em Cabo Delgado, afirmando que a persistência do terrorismo continua a dificultar processos mais sustentáveis de estabilização e desenvolvimento das comunidades afectadas.
A OCHA descreve os parceiros como capacitados em conformidade com os princípios humanitários e elevados padrões de responsabilização.
"O sucesso depende de uma coordenação forte e contínua com as autoridades provinciais e distritais, líderes comunitários e populações afetadas. A liderança do Governo, das agências das Nações Unidas e dos parceiros é essencial para garantir que a ajuda chega a quem mais precisa. Apelo a todos nós para trabalharmos em conjunto. Uma coordenação e supervisão eficazes irão melhorar o impacto, reforçar a confiança com as comunidades e assegurar a responsabilização perante os nossos doadores." - disse Matthew Mpitapita, representante dos escritórios da OCHA em Cabo Delgado
O governo Provincial espera com o projecto melhorias das famílias beneficiarias em diferentes áreas de actuação.
"Com este projecto esperamos melhorias na segurança alimentar das famílias beneficiarias, prevenção da violência baseada no gênero, melhoria na afectação dos serviços de água saneamento e saúde" - Nelson Perrero, director provincial de Transporte e comunicação em Cabo Delgado
Por sua vez, Sebastião Madeira, representante da Fundação Aga Khan, uma das organizações parceiras de implementação, afirmou que o principal objectivo da iniciativa é restaurar a dignidade das populações afectadas pelos conflitos armados. o responsável reconheceu que o acesso às comunidades afectadas continua a ser um dos principais desafios, mas acredita que o trabalho coordenado poderá facilitar as intervenções humanitárias.
“Este projecto é de carácter humanitário e tem como objectivo salvar vidas e restituir à população o bem-estar que lhe foi retirado por conta dos conflitos. O grande desafio é ter acesso a estas zonas afectadas, mas trabalhamos em coordenação com as autoridades do Governo e acreditamos que saberão orientar-nos para ultrapassar estes desafios”, afirmou.
Madeira garantiu ainda que foram criados mecanismos de coordenação entre os parceiros do consórcio para evitar sobreposição de actividades e duplicação de esforços, assegurando uma resposta mais eficiente às necessidades das comunidades afectadas.
Na mesma ocasião, Mércia Cumbe, da organização Tearfund, considerou que o projecto representa uma oportunidade para famílias deslocadas reconstruírem as suas vidas após os impactos do terrorismo, acrescentando que, para além da resposta imediata, o projecto pretende igualmente criar condições para alguma sustentabilidade das famílias afectadas.
“É uma oportunidade de restaurar a vida das famílias afectadas pelo conflito. Não serão apenas actividades para salvar vidas de forma imediata, mas também uma oportunidade para as comunidades recomeçarem, sobretudo famílias que tiveram de abandonar as suas casas e outras que acolheram deslocados”, disse.
Com o projecto RESTORE, os parceiros humanitários esperam reforçar a assistência às populações vulneráveis e reduzir os impactos humanitários provocados pelo terrorismo e eventos climáticos extremos, sobretudo nas zonas mais afectadas do país.(MRTV)



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