Cabo Delgado: Munícipes em Pemba a expõem dificuldades e cobram respostas à edilidade



‎Por: Ibraimo Abdulai

‎Os moradores da Unidade C do bairro de Muxara, na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, manifestaram nesta quinta-feira, 28 de Maio de 2026, várias dificuldades enfrentadas no dia-a-dia e cobraram respostas concretas do Município de Pemba. 

‎Durante a cerimónia de "Lançamento do Processo de Auscultação Pública para a Elaboração do Plano de Pormenor de Muxara", os residentes não pouparam suas palavras ao apresentar preocupações ligadas à falta de serviços básicos, insegurança, fraca acessibilidade, alegada exclusão da comunidade local em oportunidades de trabalho e dúvidas sobre o processo de urbanização do bairro.

‎A moradora Joaquina Alecho apontou a falta de energia eléctrica e água potável como uma das principais preocupações da comunidade, defendendo igualdade no acesso aos serviços básicos.

‎“O nosso pedido como prioritário consoante a vossa preocupação. Pedíamos primeiro energia, não podem dar um grupo de elite e existir outro grupo sem energia. Estamos a pedir expandirem energia para todos, todo bairro de Muxara devem expandir os postes, não dar metade e outra metade ficar sem postes. Estamos a sofrer também com água potável e já vamos para o tempo seco, aqui estamos a passar mal até lutamos nos poços”, frisou.

‎Por sua vez, Andalausse Anfane, chefe do quarteirão 13, denunciou problemas ligados à circulação de camiões de cargas pesadas de transporte, segundo ele chamou, “camiões de  fau”, que passam nas vias dentro do bairro,situação que, segundo explicou, tem degradado vias e criado dificuldades para os moradores.

‎“O nosso quarteirão tem grande problema, o assunto de "fau". Deixaram de usar estrada e estão passando perto da aldeia e a comunidade fica mal. Já fomos uma vez, até porque o vereador está aqui, mas até agora os camiões de fau ainda estão passando. Ali passam máquinas pesadas e cerca de cinco camiões de fau passam por dia, e quando chove cria problemas e dificuldades”, disse. 

‎O chefe do quarteirão levantou ainda preocupações ligadas à insegurança e falta de acessos, afirmando que algumas zonas têm sido palco de mortes por indivíduos desconhecidos, dificultando inclusive a intervenção policial.


‎Alfaha Amido também residente da Unidade C, manifestou apoio ao programa, mas apelou para maior transparência e imparcialidade durante a sua implementação.

‎“Sobre o programa, gostamos muito. Uma coisa que vamos concordar, quando chegar a vez de iniciar o programa, não podem passar por via Mahate. Primeiro comecem aqui onde estão esses vossos terrenos, comecem abrir a estrada por aqui e avancem conforme o programa. Não se deve haver escolha, não podem perguntar se essa casa pertence ao chefe ou ao pobre, deve ir directo consoante o vosso processo”, frisou.

‎Já a dona Flora Cristova, também moradora da Unidade C, mostrou preocupação com sinais colocados em algumas zonas do bairro, afirmando que os moradores desconhecem o seu significado e pedindo esclarecimentos sobre eventuais impactos do plano de urbanização.

‎“Aqui na zona baixa, existem alguns sinais e não sabemos o que significam. Queremos que nos expliquem o significado dos sinais, talvez sejam sinais de água, postes ou onde vai passar a estrada. Sobre a questão de estrada que se pretende alinhar, queremos saber se alguém for tirado de onde vivia vai haver algum apoio ou simplesmente vai ficar sem nada, ficar e agradecer da mesma forma como devia agradecer quando perdesse alguém mais importante da sua família ?”, questionou exigindo respostas.

‎O senhor Saide Bacar, demonstrou receio de que as promessas apresentadas não sejam cumpridas, denunciando ainda alegada exclusão da comunidade local nas oportunidades de emprego ligadas às obras em curso e projetos. 

‎“Assim o governo está nos dizer que quer iniciar um trabalho juntos, mas quando chegar a hora de iniciar o trabalho vai esquecer de nós. Quando a estrada estava a iniciar diziam que todos daqui de Muxara é que iriam trabalhar, mas agora estamos a ver pessoal que vem de Maputo e outra províncias. Vou dar um exemplo, eu estava a trabalhar aqui nas pedras, mas agora já trouxeram máquinas e tudo isso a máquina é que faz. Mas primeiro dizia que a máquina só vai nos ajudar e nós só vamos organizar, mas tudo a máquina é está  fazer”, lamentou.

‎Entretanto, o vereador de Urbanização do Conselho Municipal da cidade de Pemba, Abdulremane Chaca em representação presidente do Município e parceiros de implementação defenderam que o processo de auscultação pública visa organizar o crescimento urbano da Unidade C de Muxara, numa altura em que o bairro enfrenta forte expansão populacional impulsionada também pelo acolhimento de deslocados.

‎Quanto as preocupações apresentadas pelos moradores, o vereador de Urbanização do Conselho Municipal da cidade de Pemba, Abdulremane Chaca, defendeu: "Oque precisamos agora é identificar quem está [...] como dizia, este processo é participativo e sempre que necessário vamos voltar para comunidade. Por tanto, não posso precisar agora porque o plano é quem ditar e como dizia sendo um plano participativo a comunidade vai ter que participar para dizer que aqui é vai passar a via", disse. 

‎O representante da Direcção Provincial de Terra e Ambiente (DPTA),  Alberto Afonso Lino, reconheceu os desafios existentes no bairro, defendendo que a actual realidade é consequência de uma crise humanitária que ultrapassa a capacidade de resposta de uma única instituição.

‎“O resultado é visível, casas construídas em zonas de risco, bairros sem água canalizada e sem saneamento adequado. Não é culpa de ninguém, é consequência de uma crise humanitária que ultrapassa a capacidade de resposta de qualquer instituição isolada. Vamos definir onde ficarão as ruas, onde construir as casas, localizar espaços públicos, escolas, mercados e zonas de risco para proteger as famílias”, explicou.

‎Na mesma linhagem, Filipe Jorge Muririwa, representante da UN-Habitat, explicou que Muxara registou um crescimento populacional acelerado devido ao acolhimento de deslocados, defendendo que o plano pretende melhorar acessibilidade, serviços básicos, segurança comunitária e resiliência ambiental no bairro.

‎Segundo Muririwa, a iniciativa enquadra-se nas acções voltadas à melhoria da acessibilidade a equipamentos e serviços básicos, numa zona onde o crescimento acelerado agravou problemas de ordenamento territorial. A cerimónia contou com a participação do Município de Pemba, parceiros de cooperação, além de líderes comunitários e moradores locais.(MRTV)


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