Governo Provincial, sociedade civil e parceiros reforçam diálogo sobre segurança e direitos humanos em Cabo Delgado




‎Redacção Mapiko Rádio+TV

‎O Governo Provincial de Cabo Delgado, organizações da sociedade civil, sector privado e parceiros de cooperação reuniram nesta quinta-feira, 28 de Maio de 2026, na cidade de Pemba, de modo a reforçar o compromisso de fortalecer o diálogo multissetorial sobre segurança, direitos humanos e prevenção de conflitos. 

‎Durante a XVI Reunião do Grupo de Trabalho Técnico Provincial sobre os Princípios Voluntários sobre Segurança e Direitos Humanos (VPSHR), os dirigentes defenderam que a reunião surge numa altura em que a província de Cabo Delgado continua a enfrentar desafios ligados à insurgência armada, deslocamentos populacionais, exploração de recursos naturais e tensões sociais, factores que, segundo os organizadores, exigem respostas coordenadas entre governo, empresas, sociedade civil e parceiros internacionais.

‎Falando na abertura do encontro, Georgina Manhique, directora dos Serviços Provinciais de Justiça e Trabalho em Cabo Delgado, em representação do Secretário de Estado da província, defendeu que a iniciativa constitui um passo importante na consolidação da paz e prevenção de conflitos.

‎“Esta iniciativa representa não apenas um marco institucional, mas também um claro sinal do nosso compromisso colectivo em promover a paz, prevenir conflitos e consolidar um ambiente favorável ao desenvolvimento sustentável da nossa província. A relevância desta reunião reside na capacidade de reunir diversos actores em torno de um objectivo comum que é fortalecer a coordenação multissetorial e assegurar que os direitos humanos sejam respeitados e protegidos”, frisou.»

‎Por sua vez, André Mulhanga, do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), destacou que o grupo de trabalho tem vindo a consolidar uma plataforma de diálogo entre diferentes sectores para garantir que os desafios de segurança ligados aos investimentos económicos sejam tratados com respeito pelos direitos humanos.

‎“Esta iniciativa tem procurado criar uma plataforma de diálogo multissetorial capaz de aproximar o governo, empresas extractivas, sociedade civil, comunidades e parceiros internacionais em torno de uma preocupação comum: garantir que os desafios de segurança associados aos investimentos económicos sejam geridos com respeito pelos direitos humanos e pelos princípios do Estado de Direito”, explicou.

‎Já Helen Lewis, representante da Alta-Comissária Britânica, reafirmou o compromisso do Reino Unido em continuar a apoiar os esforços humanitários e de estabilização em Cabo Delgado, defendendo maior coordenação para alcançar populações vulneráveis nas zonas remotas afectadas pelo conflito armado.

‎Segundo Lewis, o Reino Unido tem mantido conversações com parceiros humanitários e agências das Nações Unidas para acelerar a assistência às comunidades afectadas, sobretudo no acesso ao abrigo, água, saneamento e alimentação.

‎“Estou aqui para falar particularmente com os nossos parceiros de ajuda humanitária sobre como vamos alcançar e chegar às zonas mais remotas e às pessoas mais vulneráveis. Falámos com representantes da ONU sobre como podemos melhorar e acelerar a resposta, e temos parceiros como a OIM com quem estamos a trabalhar para mobilizar apoio de forma rápida”, explicou.

‎A representante britânica acrescentou ainda que, para além da resposta humanitária, o Reino Unido considera essencial reforçar o investimento económico na província, com foco na criação de emprego e oportunidades para os jovens, como forma de responder às causas profundas da instabilidade.

‎“Hoje estamos também a trabalhar sobre investimento, porque sabemos que para tratar os problemas de raiz precisamos de mais investimento na província para criar emprego e oportunidades, particularmente para a juventude. O Reino Unido mantém-se pronto para continuar a trabalhar em parceria com Moçambique e todos os parceiros aqui presentes para garantir que a segurança contribui para a paz, prosperidade e respeito pela dignidade humana”, afirmou.

‎Helen Lewis destacou ainda que, desde 2022, o Reino Unido já disponibilizou mais de 22 milhões de libras esterlinas para apoiar intervenções humanitárias em Cabo Delgado, defendendo maior articulação entre governo, organizações locais e parceiros internacionais para assegurar respostas rápidas e eficazes.

‎Entretanto, o Coordenador Provincial do CDD, Abdul Tavares, explicou que a reunião permitiu igualmente fazer o ponto de situação do conflito em Cabo Delgado e reflectir sobre os desafios ligados à mineração artesanal, incluindo relatos de mortes, invasão de áreas mineiras e tensões sociais.

‎“Estamos a discutir questões como a mineração artesanal que nos preocupa dentro da província de Cabo Delgado, mas também iremos fazer o ponto de situação sobre a evolução do conflito na província. Sempre há relatos de invasão de minas, pessoas baleadas, linchadas e conflitos que precisam de respostas coordenadas”, afirmou.

‎O encontro, promovido pelo Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, em parceria com o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) e o DCAF – Geneva Centre for Security Sector Governance, serviu para analisar o contexto de segurança e direitos humanos na província, apresentar o relatório do primeiro trimestre de 2026 e discutir preocupações ligadas à mineração artesanal, conflitos comunitários e mecanismos de monitoria.

‎Para além disso, a XVI Reunião do Grupo de Trabalho Técnico Provincial visou igualmente actualizar os participantes sobre o ponto de situação do estudo sobre mineração artesanal na província, numa altura em que persistem preocupações relacionadas com conflitos entre garimpeiros, empresas mineiras e forças de segurança, além de alegadas violações de direitos humanos associadas ao sector extractivo.(MRTV)

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