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Pelo menos 12 embarcações foram sequestradas por insurgentes nas águas dos distritos de Macomia e Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, segundo o mais recente relatório da Organização Internacional ACLED, que analisa os eventos ocorridos entre 18 e 31 de Maio de 2026.
De acordo com o documento, na noite de 20 de Maio, combatentes do Estado Islâmico em Moçambique cercaram cinco barcos de pesca ao largo de Pangane, no distrito de Macomia. Após negociações com os proprietários dos barcos, foi pago um resgate de 60 000 meticais por dois barcos, enquanto os sequestradores apreenderam os três restantes juntamente com o equipamento. Quatro dias depois, a 24 de Maio, sete barcos foram capturados na zona de Ncomangano, a norte da vila de Mocímboa da Praia. As embarcações foram levadas para sul, provavelmente em direcção ao rio Messalo.
O documento refere que estas acções ilustram a pressão sobre proprietários e tripulações de embarcações que operam ao largo da costa de Macomia e Mocímboa da Praia, numa zona onde também tem sido registada tentativa das Forças Armadas de Defesa de Moçambique de estabelecer uma zona de proibição ao tráfego marítimo civil.
Ainda o relatório, a 25 de Maio, combatentes do Estado Islâmico em Moçambique dispararam cinco morteiros contra uma posição das FADM na zona de CETA, nos arredores da vila de Macomia. O ataque não resultou em vítimas ou danos registados.
O relatório indica ainda que a insegurança continua a afectar a vila de Macomia, apesar da presença de forças moçambicanas e ruandesas. A 20 de Maio, homens armados não identificados mataram um homem na zona de Napulubo, conhecido como Mussa, que comercializava peixe proveniente da costa. Fontes referem que a vítima já tinha sido procurada uma semana antes.
No mesmo dia, outro empresário foi alvo de uma invasão na zona de Nanga A, com os atacantes a levarem bens da residência. A 31 de Maio, voltaram a ser registados tiros na mesma zona, com relatos de novo alvo ao mesmo empresário. A sul da província, o relatório indica que a 21 de Maio suspeitos de serem combatentes do Estado Islâmico mataram um homem na aldeia de Litamanda, no distrito de Chiúre, tendo o grupo reivindicado o ataque e descrito a vítima como um “combatente cristão”.
Entre 19 e 27 de Maio, o Estado Islâmico reivindicou ainda quatro ataques nos distritos de Chiúre e Namuno, incluindo a destruição de uma igreja na aldeia de Namoro e a morte de um soldado moçambicano durante um confronto. Os insurgentes têm vindo a deslocar-se em direcção ao rio Lúrio, com registo de ataques em zonas próximas, incluindo incêndio de infra-estruturas religiosas.
O relatório acrescenta ainda que, os insurgentes mataram pelo menos três civis e raptaram outros três por volta de 17 de maio na zona de Pundanhar, a oeste do distrito de Palma. A movimentação dos insurgentes na zona pode ter suscitado preocupações na vila de Palma. No dia seguinte, foram impostas restrições aos veículos que entravam no local do projeto de gás natural liquefeito em Afungi, e uma fonte relatou uma presença de segurança reforçada na cidade nesse dia.
No plano político e diplomático, o relatório indica que o governo moçambicano confirmou que irá financiar a permanência das forças de segurança ruandesas em Cabo Delgado, sem avançar valores nem duração da missão. O documento refere também encontros entre autoridades moçambicanas e ruandesas, incluindo a reunião entre o Presidente Daniel Chapo e o Presidente Paul Kagame em Kigali, e visitas do ministro da Defesa a posições ruandesas em Mocímboa da Praia.
Segundo o relatório, Moçambique reforçou ainda cooperação regional em defesa com a Tanzânia, através de novos acordos de coordenação e partilha de informação.
O documento indica ainda que o governo moçambicano está alegadamente a contestar uma reivindicação da TotalEnergies e seus parceiros de 2 bilhões de dólares referente a custos adicionais incorridos durante a suspensão do projeto Mozambique LNG, que se seguiu à declaração de força maior em 2021. A TotalEnergies estima as suas perdas totais relacionadas com a paragem em cerca de 4,5 bilhões de dólares e pretende recuperar estas despesas antes de pagar impostos ao Estado 2021.
No período em análise, a ACLED registou pelo menos oito eventos de violência política em Cabo Delgado, que resultaram em pelo menos oito mortes, incluindo seis civis.
O relatório acrescenta ainda que ressurgente continuam a movimentar-se em alguns distritos da província, incluindo Chiúre, onde foram reportados ataques contra comunidades e infra-estruturas, numa altura em que persistem preocupações relacionadas com a segurança e a circulação de pessoas e bens em algumas zonas afectadas pelo conflito armado.(MRTV

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