Por Ibraimo Abdulai
O Delegado Provincial do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) em Cabo Delgado, Marques Naba, defende está quinta-feira 20 de agosto, que os parceiros humanitários devem envolver as comunidades e os governos distritais na planificação dos projectos, para garantir que as intervenções respondam às prioridades locais.
O Delegado considera que a planificação de projectos não deve ser feita à distância e posteriormente imposta às comunidades, defendendo que o processo deve começar nos locais onde as intervenções serão realizadas.
“Não pode começar aqui para depois ir impor às pessoas que estão em Quissanga, que estão em Macomia. Começa a planificar nas comunidades onde vocês querem implementar os seus projectos. Para evitar problemas, há pouco tempo tivemos projectos com o Fundo dos Estados Unidos. Foram obrigados a correr para planificar aqui e, quando foram às comunidades, o Governo já não queria ali onde os parceiros queriam implementar o projecto, porque não eram as comunidades que eram prioridade a nível do distrito. Isso cria também constrangimento com os parceiros. Mas, se tivesse começado a partir do distrito, eu acho que iriam alinhar os projectos de acordo com aquilo que são as prioridades do distrito”, defendeu.
O responsável recomenda que os parceiros envolvam, desde o início, os governantes distritais, chefes dos postos administrativos, chefes das localidades, líderes comunitários e as próprias populações, de modo a identificar as necessidades e prioridades de cada zona.
“Vamos sentar com os administradores, vamos sentar com o chefe dos postos administrativos, vamos sentar com os chefes da localidade e vamos sentar com a liderança. [...] Vamos reforçar o nosso encontro com todos os nossos parceiros, aqueles que fazem parte do nosso consórcio”, disse.
O Delegado do INGD defende ainda uma mudança de abordagem na assistência humanitária, sobretudo nas zonas onde as populações permanecem deslocadas há vários anos.
Para Marques Naba, os parceiros devem deixar de concentrar a resposta apenas em soluções temporárias e começar a incorporar, desde a fase de planificação, medidas que contribuam para soluções duradouras.
“Não é para pensar em colocar lonas ou tendas nas pessoas que estão ali há 9 anos. É pensar de outra maneira. Temos que melhorar o pensamento na área de protecção, em coordenação com os governos distritais”, disse.
O responsável considera que a resposta humanitária deve estar articulada com os planos de desenvolvimento da província, uma vez que as mesmas comunidades podem continuar a necessitar de apoio mesmo depois da fase de emergência.
Marques Naba falava na cidade de Pemba, durante o Workshop de Revisão Conjunta em Tempo Real do Projecto RESTORE, que reuniu diferentes actores humanitários para avaliar a implementação das intervenções e discutir formas de melhorar a resposta às populações afectadas.(MRTV)

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